Uma triste realidade para quem vive a rotina de órgãos públicos

Nos idos de 60/70 e meados dos anos 80, o grande sonho dos jovens de classe média do país era passar nos concursos do Banco do Brasil, Caixa Econômica, IBGE, Petrobrás ou similares. Era a conquista do Eldorado brasileiro para as famílias e para quem sonhava com um casamento feliz.

O mercado de trabalho era promissor para estas áreas e os salários consoantes com estabilidade financeira, de status e de emprego que anunciavam os novos bem-sucedidos na vida.

Realmente este significava o mais puro e sólido sonho dos que conquistavam as vagas oferecidas pelos concursos, como também enchia de orgulho e esperança os familiares que passariam a contar desde o resultado à tomada de posse nos empregos, com mais um bem encaminhado na vida daquela família.

Mas o destino temporal mostrou outra cruel realidade! Nem todos cresceram dentro da carreira bancária ou nos outros órgãos. Esbarravam assim no alcance maior dos sonhos materiais.

Por outro lado, outros conseguiram vencer as barreiras dos cargos e atingiram o ápice do profissionalismo. Porém entre quase todos eles uma praga da sociedade a que passaram a pertencer foi mais efetiva e contaminou a quase todos eles: o alcoolismo!

Os funcionários de carreira do Banco do Brasil e da Petrobrás têm históricos mais latentes no desmanche da personalidade dos antes vitoriosos concursados, para os depois alcoólatras e por consequência complicadores de lares feitos de sonhos!

As AABBs da vida facilitaram o acesso dos que antes viviam suas vidas dentro de moldes módicos pelas classes a que pertenciam, para depois, tornarem-se meros membros de clubes fechados onde só lhes serviam o “vinho do sucesso empresarial” sem lhes defenderem dos males da sociedade egocêntrica a que agora pertenciam, cobrando-lhes a taxas altíssimas o futuro das suas próprias famílias.

As transferências eram parte do currículo dos bem-sucedidos. Os filhos destes que se adaptassem a tantas mudanças, baseadas nas experiências cuja filosofia e psicologia fundamentavam ser algo bom conviver com as adversidades, novidades e coisas que o valham.

Pobres enganados! Pouco tempo depois os órgãos, com exceção da Petrobrás, cobravam o nível superior, mesmo estando o funcionário no mais profundo interior dos rincões deste país em desenvolvimento.

Os timoneiros da economia, Ministros de Estado, bem acolhidos pelos apartamentos funcionais de Brasília, apenas tratavam dos números que enchessem aos olhos do presidente – misto de ditador e empregador – mesmo que escondesse nas informações o câmbio flutuante da equiparação com o dólar da época.

Esses verdadeiros vitoriosos dos concursos seriam grandes profissionais liberais caso passassem nos vestibulares e não nos concursos. Enterraram verdadeiros capazes nos cemitérios dos profissionais vencidos pelo imediatismo do mercado e das famílias que sem saber cobravam o sucesso mais rápido dos seus entes queridos.

O Bancos do Brasil, a Caixa Econômica, o IBGE e a Petrobrás, continuaram a crescer e os seus alcoólatras a sofrer, a família vitima do processo, a entender o sacrifício dos que proporcionaram o sucesso de outrem em detrimento do pseudo-sucesso de quem?

Já a preocupação com o hoje é a juventude que sem passar em concursos enveredam pelos caminhos do alcoolismo e das drogas, fazendo crescer o número de dependentes químicos e de problemas para as famílias do agora.

Fonte: Correio de Alagoas