Após diversos casos de abuso de álcool, universidades criam práticas de prevenção e tratamento

Periodicamente a notícia é a mesma: estudantes que abusaram de bebidas alcoólicas em festas universitárias. Mas parece que, enfim, as universidades decidiram agir contra a associação de álcool e o ensino superior.
A partir do próximo ano, os mais de 37 mil alunos da Unesp terão maior monitoramento das notas. O monitoramento é parte de um pacote de medidas que a reitoria adotou para inibir casos de violência e abuso.
A ideia surgiu, segundo a vice-reitora da Unesp, Marilza Rudge, depois que uma sindicância constatou que os alunos hospitalizados em fevereiro deste ano após uma competição com vodca em Bauru já registravam queda no desempenho acadêmico.
Na ocasião, o estudante de engenharia elétrica Humberto Moura Fonseca, 23, morreu intoxicado após ingerir mais de 25 doses de bebida. Outros seis foram internados. “Um desses meninos era excelente no primeiro ano, mas foi caindo progressivamente de rendimento até ficar muito fraco”, diz Rudge.
Por isso, a universidade criou uma ferramenta para reconhecer as oscilações. Quando avisados, os coordenadores terão de identificar a origem do problema. “No geral, quando estudante se envolve com álcool ele perde o interesse no curso. A ideia é detectar antes um evento drástico como o de Bauru”, conta o professor de engenharia elétrica Laurence Colvara, pró-reitor de graduação da Unesp.
Se o problema for o álcool, o aluno será aconselhado a procurar ajuda em serviços da própria universidade.

Álcool e a vida universitária

“Na universidade, muitos estudantes se envolvem com diversas novidades, como o álcool. E há situações em que o grupo promove festas com consumo intenso de bebida. Para quem tem alguma ansiedade, frustração ou não está bem no curso, o álcool serve como uma muleta”, afirma o professor associado da USP e titular da Faculdade de Medicina do ABC.
Ele defende maior ingerência das universidades sobre as festas. “Não é só o estudante com o rendimento ruim que vai buscar no álcool uma escapada para as angústias”.

Opinião das mães

“Muitas tragédias já aconteceram, não foi só com o meu filho, e as universidades não conseguem acabar com esses abusos”, afirma a professora de enfermagem Josely Pinto de Moura, mãe de Humberto. Segundo ela, o filho estava se saindo bem na faculdade, não costumava ir em grandes festas e foi levado a beber pela “força do grupo”. Mesmo assim, ela diz achar a proposta válida. “O fato de o professor ser alertado é importante para ele ver o que está acontecendo com o aluno”.
A bibliotecária Fátima Alvez, mãe da aluna Gabriela Alves, que foi internada após a competição, diz que sua filha também não teve problemas com os estudos. Ela defende um trabalho de conscientização que envolva todo o ambiente acadêmico. “O problema não é só do aluno, é de toda a universidade”.
A Unesp diz ter organizado oficinas virtuais e workshops sobre o álcool e drogas, além de ter capacitado os vice-diretores das universidades para lidar com casos de abusos.

USP

A Unesp não foi a única em buscar mais rigidez quando o assunto é álcool. A Universidade de São Paulo (USP) oficializou em agosto a proibição de festas com comercialização e consumo de bebidas alcoólicas em seus câmpus. A determinação, aprovada pelo Conselho Gestor da Cidade Universitária em dezembro do ano passado, foi publicada no Diário Oficial do Estado, com as regras e protocolos a serem seguidos para a realização de eventos nos espaços da universidade.
Há previsão de punições às confraternizações ilegais. Os organizadores que descumprirem as determinações estão sujeitos a responsabilização civil, penal e administrativa.

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Com informações do jornal Estadão e Folha de São Paulo