Abuso do álcool maltrata o corpo e agrava risco de doenças crônicas

Na tarde do dia 23 de julho, a cantora inglesa Amy Winehouse foi encontrada sem vida em  sua casa no bairro de Camden, Londres (Inglaterra). Embora as causas da morte ainda sejam desconhecidas, a cantora tinha um longo histórico de abuso de drogas. No Brasil, o ex-jogador e craque da Seleção Brasileira Sócrates está internado desde o dia 05, depois de apresentar um quadro de hemorragia digestiva alta. Em comum, uma doença que afeta 12% da população mundial: o alcoolismo.

Se você está se perguntando como uma substância que também é indicada para prevenir doenças do coração, de uso  fundamental em qualquer ritual de socialização, quase tão antiga quanto a humanidade, pode causar tanto estrago, a resposta é simples: o uso descontrolado e em quantidades cada vez maiores do etanol lesiona praticamente quase todas as células do organismo, causando danos diretos como as doenças cerebrais, nervosas, do coração, pâncreas, fígado e estômago, além de potencializar outros problemas como a obesidade, o diabetes, a pressão alta, entre outros.

Pessoas que bebem muito, inclusive, quando param de beber abruptamente promovem no organismo um choque chamado de Resposta Compensatória, que pode levar à morte. De acordo com o psiquiatra e especialista em medicina comportamental Felipe Corchs, isso acontece porque o etanol funciona como um sedativo para o corpo, reduzindo a temperatura e diminuindo a frequência cardíaca. Para compensar a redução e manter a normalidade, o organismo faz com que o coração bata mais rápido e que a temperatura do corpo aumente, mesmo sem a presença de álcool.

“Nessa resposta do corpo, as pessoas sofrem com aumento da pressão arterial, temperatura, arritmias e convulsões”, esclarece o médico.

Causas

Não existe uma única causa que explique por que determinadas pessoas não conseguem controlar o uso do álcool e passam a viver em função do seu uso. Nas palavras do psiquiatra Felipe Corchs, a dependência vai acontecer quando o indivíduo não consegue ter controle sobre a bebida e não consegue fazer nada que não apresente relação com o álcool. “Existem várias fases a serem consideradas quando o assunto é o abuso do álcool mas, na dependência, o indivíduo pode até tentar parar de beber, mas não consegue êxito no seu objetivo”, destaca.

Ele lembra ainda que existem pessoas que não são dependentes, mas que fazem uso e abuso, os chamados heavy drinkers. Explicar como o abuso vira dependência não é fácil, pois, além dos fatores biológicos, sociais, existem os psicológicos.

Fonte: Correio da Bahia